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quarta-feira, 25 de abril de 2012

AVÓ


Como se a vida fosse tão fácil como jogar às cartas. Como se criar filhos fosse tão fácil como andar de bicicleta. Como se andar se tivesse aprendido logo depois de nascer.
Avó, são 70 anos de vida que hoje completas. 70 anos de longas pegadas, de muitas quedas, de muita coragem, de muita alegria, de muitos sorrisos. Mas tal como falo de quedas, a vida nem sempre foram rosas e criar filhos nem sempre foi tão fácil como aprender a nadar. Mas tal como cuidamos das rosas, a vida merece esse mesmo tratamento, para lhe dar alegria e para a tornar mais firme que nunca. E tal como nadar, criar filhos, vai-se aprendendo com a experiência, e isso, é algo que nunca se esquece.
Era dia 24 de Abril de 1942, um dia tão normal como os outros, com por do sol, com nuvens e céu azul, com aviões a rasgar as nuvens e com pássaros a viajarem por entre as árvores, mas num dia tão comum como este, chega a hora, e a flor que até então era tão desejada, acabar por nascer, a Maria dos prazeres faz florescer uma Margarida. Um novo membro de família, que foi crescendo com as suas irmãs, e com o seu único irmão, com o pai, e com a mãe.
Como o tempo não pára, nem que queiramos, nasce o casamento com o Sr. Fuzeira, e daí, novas flores vão florescer, Anabela, João e Paulo. Com isto, várias coisas mudaram, afinal, o nascimento de um filho, faz mudar muitos hábitos que até então tínhamos. Grande parte da vida de casal com os seus filhos, foi passada em Angola. Onde a garra de leão do meu avô vencia as guerras, e onde a ternura de mãe da minha avó, acariciava os filhos. Mas a terra a que foram habituados a viver, deixou saudades, e foi necessário voltarem novamente para Portugal. Mas claro, as recordações ficariam sempre no baú.
A vida de casal, nem sempre é estrada recta, os altos e baixos, e as curvas menos esperadas existiram ao longo deste tempo, e continuaram a existir, porque isso, faz-nos crescer. Mas casal, é sinónimo de entreajuda, de confiança, de união, e por isso um dia disseram “Até que a morte nos separe”, e assim será. Casal de coragem, casal que dá tudo pelos netos e filhos, casal de orgulho. Nós netos, temos um obrigado, que nunca chegará, porque nada consegue agradecer o tudo.  Obrigada pela educação, pela mão dada quando foi preciso. Pela mãe, pelo avô, pela avó, pelo pai que são.
E como disse, uma flor precisa de muito para sobreviver, e não apenas de água, mas de carinho, de amor, tal como a Sra Margarida da nossa família.
E isto porque, um humano não necessita apenas destas palavras quando está em baixo, ou quando fica bonito, um humano cresce com isto, aprende com isto, e é por isso, que termino, e para não esquecer:
Parabéns Avó!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

CENTO E OITENTA E DUAS HORAS




E lá continuamos nós a sonhar com o Romeu e Julieta, como se um conto se transforma-se com um simples clique de desejo, na nossa vida. É isto que nos machuca. Correr atrás, atrás de alguém, e quando batemos com a cabeça no vidro, é que nos apercebemos que para nós não é essencial correr e cair, mas esperar até alcançar. Cento e oitenta e duas horas foi o longo tempo, ou melhor, as longas horas que lutei por ti, e acima de tudo por nós. Acredito que todo este relógio avançou devido a duas coisas, a ti e a mim. Até à noite, quando as estrelas brilhavam no céu, e quando as cadentes perfuravam o manto azul escuro, eu lutava por ti. Os meus sonhos, aqueles balões cor de rosa, tinham-te no todo, eras tu que todas as noites estavas lá, e te sentavas a meu lado para conversar, e sem esperar, me beijavas e te despedias. Mas o relógio deixou de funcionar, a pilha começou a ter falhas em várias horas, e os balões acabaram por rebentar. E o essencial, acabava por faltar, a confiança tinha deixado de funcionar num simples piscar de olhos. E agora, em simples fotografias, o flashes de tempo, vejo-te! Com os teus lindos olhos brilhantes, e com o teu doce coração. E é nestes momentos, que me pergunto o porque do meu coração bater tão forte, como se tivesse vontade de explodir. Nestes momentos que pensei que te tivesse soprado para bem longe, mas afinal, a fraqueza existiu no sopro, e estás bem mais vivo em mim do que eu própria poderia imaginar. E quando volto a olhar para as estrelas, na esperança de te encontrar lá, bem brilhante, o coração diz-me “aquela estrela é a minha vida”, e eu volto a perguntar-me, mas afinal, quando foi o dia em que pensei ter soprado no homem que esteve comigo cento e oitenta e duas horas?

sábado, 10 de março de 2012

Acreditar no nosso coração nem sempre é o mais correto, acreditar nos nossos olhos pode ser enganador. O coração ilude-se quando de apaixona, os olhos são cegos à realidade no amor. Conclusão, o amor é cego. E porquê? Porque é que o coração teima sempre em não olhar à sua volta e sentir o real, porque é que a cabeça teima sempre em não pensar nas consequências do amor cego que estamos a viver? Porque ou se ama, ou se gosta, ou se odeia. Quando se ama, não ouvimos nada à nossa volta senão o amado, quando se gosta ouvimos tudo o que têm para nos dizer, quando se odeia, odeia-se mesmo, e nem o que dizem vai mudar isso.